sábado, 16 de agosto de 2008

Interstella 2ª edição

Acaba de ser lançada a 2ª edição de Interstella (é, eu sei que disse que só lançaria uma nova edição do manual 3D&T, mas num güentei!).

Download Link:
http://rapidshare.com/files/137503399/Interstella.rar.html

O que tem de novo nesta nova edição:

- Duas novas Vantagens Unicas no capitulo Novas Regras: meio-anão e meio-basteth;

- Novo Capitulo; Uma Breve História do Tempo, que traz "uma breve história do tempo:P;

- Três novos (?) mundos ganharam descrição no capitulo Mundos da Dispersão: Antioquia (que substitui Terrania como mundo sede da Igreja Católica e da Academia de Ciências), Manassés e Rothundaa.

- Uma breve descrição do "que aconteceu" com o Sistema Solar e a Terra no capitulo Outros Destaques.

- No capitulo Equipamentos acrescentamos o tópico Astronaves com exemplos de modelos mais comuns e Vantagens exclusivas para astronaves. GraafMachines também ganharam uma lista de vantagens exclusivas.

É isso.

sábado, 9 de agosto de 2008

Sobre Astronaves e Mechas

- Astronaves

Agora, como em qualquer outro época, a capacidade de um povo progredir está intimamente ligada à viagem por grandes distâncias. A viagem espacial permitiu transformar a galáxia. O espaço, que antes separava sos mundos, passou a ligá-los e aos poucos a sociedade galáctica foi se formando. E o meio que possibilita isso é a astronave. Uma astronave é um conjunto de sistemas funcionando solidariamente. Cada parte é projetada sob medida para funcionarem uma com a outra. Uma astronave é construída seguindo-se as mesmas regras da pág 52 do Manual e é considerada um Veiculo Gigante. Existem duas maneiras de adquirir uma astronave, conseguindo-a em campanha ou adquirindo-a através da Vantagem Maquina. Uma nave somente pode ser construída com a aprovação do Mestre.

Seguem-se alguns exemplos de astronaves mais comuns em aventuras. Os modelos aqui apresentados já vêm com tonelagem, tripulação mínima necessária e capacidade de carga pré-definidas.

Barco Espacial (0 pontos): os barcos espaciais costumam ter entre 30 e 50 toneladas e costumam ter 1 tripulante e espaço para 1 passageiro. Sua capacidade de carga é de 100 quilos.
Iate Espacial (0 pontos): costumam ter entre 150 e 200 toneladas e costumam ter 2 tripulantes e espaço para 4 passageiros. Sua capacidade de carga é de 780 quilos.
Corveta Espacial (0 pontos): costumam ter entre 200 e 250 toneladas e costumam ter 4 tripulantes e espaço para 8 passageiros. Sua capacidade de carga é de 33,5 toneladas.
Transporte Espacial (0 pontos): costumam ter entre 250 e 350 toneladas e costumam ter 4 tripulantes e espaço para 2 passageiros. Sua capacidade de carga é de 87,5 toneladas.
Cargueiro Espacial (0 pontos): costumam ter 10.000 toneladas, possuem 250 tripulantes e espaço para 60 passageiros. Sua capacidade de carga é de 5.242,5 toneladas.

Além das Vantagens disponíveis, uma astronave pode instalar os seguintes equipamentos:

Hiperdrive (2 pontos): Uma Astronave com esta Vantagem pode entrar no hiperespaço a partir de qualquer lugar, desde que elas estejam no vácuo (é impossível formar o campo na atmosfera). A Vantagem Aceleração é necessária para escapar da gravidade e atmosfera de planetas similares a Terra. No hiperespaço a espaçonave alcança a velocidade de 1 ano luz a cada 6 minutos. As naves não podem deixar o hiperespaço a uma distancia menor que 0,5 UA de uma massa estelar, ou 0,1 UA de uma massa planetária. É necessário um teste de Habilidade para se chegar “perto o suficiente, mas não perto demais” do planeta alvo. Em caso de falha a nave “ricocheteará” e aparecerá num lugar aleatório a 3 UA de distancia do alvo original. Ativar o Hiperdrive consome 2 PM (descontados dos PM da máquina).
Comunicadores (0 pontos): Apesar das pesquisas empreendidas no setor a comunicação mais rápida que a luz nunca se tornou uma realidade, fazendo com que a velocidade das comunicações seja igual à velocidade das astronaves mais rápidas. Um rádio espacial comumente tem o alcance de 1UA e possui dez canais de freqüência.
Sensores (1 ponto): Eles utilizam reflexos de ondas de rádio em superfícies, Assim é possível não só detectar o objeto, mas também ter informações sobre sua forma e velocidade. Têm um alcance de 10UA. Os planetas de um novo sol podem ser encontrados em um dia.
Suporte de Vida (0-1 ponto): Seres vivos têm de respirar, comer, descansar, etc. Para isto, é necessário um sistema de suporte de vida que inclui desde banheiros e bebedouros até recicladores de ar e matéria orgânica. Existem dois tipos de suporte de vida: Limitado (0 ponto): comum em caças, robôs gigantes, ônibus espaciais ou barcos salva-vidas. Completo (1 ponto): Funciona indefinidamente.
Gravítica (1 ponto): As células gravíticas, que são acionadas através de um impulso elétrico permitem que as pessoas se sintam em gravidade normal mesmo no espaço profundo.

- GraafMachine

Grandes como edifícios os robôs pilotáveis conhecidos como GraafMachine são ideais para uso civil e militar e são empregados em larga escala por toda a galáxia.
Por sua versátil forma humanóide, medindo entre 8 e 10 metros de altura, podem ser usados para os mais variados fins – como trabalho pesados de engenharia no vácuo espacial ou em quaisquer outros ambientes hostis a vida. Criados pelos anões os GraafMachines se espalharam pela galáxia, graças ao faro para negócios dos Mercadores Goblins.
Polivalentes seu chassi humanóide básico pode receber inúmeros acessórios que variam de acordo com o tipo de atividade exercida.
GraafMachines utilizam as regras normais do Manual 3D&T para Robôs Gigantes. Todos têm H0, devendo ser operados e pilotados com a Habilidade do piloto.
Atenção: GraafMachines não podem usar a Vantagem Aceleração para escapar da gravidade e atmosfera de planetas similares a Terra.
Um chassi básico tem forma humanóide normal: dois braços e duas pernas. Além das Vantagens disponíveis, um GraafMachine pode instalar novos conjuntos de Braços, Pernas e Armas. Um mesmo robô pode possuir apenas um conjunto de cada.

Aile Striker (2 pto): o Aile Striker consiste de uma asa acoplada as costas do GaafMachine permitindo que este voe. Ativar o Aile Striker consome PM, a quantidade e PM consumida indica a velocidade de vôo do GaafMachine: 10 m/s com 1 PM; 20m/s com 2 PM; 40m/s com 3 PM e assim por diante.
Cannon Shield (4 ptos): este escudo/canhão concede Armadura +2 e Poder de Fogo + 2.
Caterpillar (2 ptos): trocando as pernas normais por esteiras de tanque, o GraafMachine fica mais resistente (A+2).
Claw Arm (1 pto): uma grande garra desenhada especialmente para combate corpo-a-corpo. Concede Força +1.
Drill Arm (2 pontos): inicialmente projetada para auxiliar na construção das galerias anãs, esta perfuratriz se mostrou eficiente em combate. É útil em combate corporal e também a distancia, pois pode disparar uma carga explosiva da ponta da perfuratriz. (Força +1, Poder de Fogo + 1).
Escudo (1 pto): construído com materiais sintéticos este escudo concede Armadura +1.
Escudo de Corpo Inteiro (3 pto): esta versão do escudo comum protege todo o corpo do GraafMachine que somente consegue move-lo graças aos diversos propulsores de manobra instalado no próprio corpo do escudo. Oferece Armadura + 3.
Laser Blade (3 ptos): uma espada de energia concentrada, concede F+2. Se quiser pode concentrar energia para causar mais dano (Força +1 por turno, no Maximo 3 turnos).
Lança-Mísseis (3 ptos): lanças-mísseis duplo que dispara tiros teleguiados a grandes distancias. (PdF +3).
Quadripods (1 pto): este opcional substitui as penas padrão do chassi básico por um conjunto quadrúpede concedendo mais estabilidade ao robô (H+1).
Vulcan (1 pto): o modelo mais comum; uma metralhadora gauss (armas de trilho eletromagnético) auto recarregável, de tiro rápido. (PdF +1).

domingo, 3 de agosto de 2008

SILVANA

PRÓLOGO


O cargueiro abandonou o hiperespaço e tomou o rumo de um dos inúmeros gigantes gasosos do sistema; ponto de referência para o próximo hipervôo.

Seu capitão está na sala de mapas fazendo a conferência das últimas coordenadas da rota que havia tomado. Era apenas procedimento de rotina, pois em vinte anos de carreira, acabara decorando as coordenadas de uma centena delas.

– Capitão?! – a voz do imediato chega-lhe através do comunicador – Seria melhor que o senhor visse isso...

Todos a bordo sabiam que seu capitão não gostava de ser incomodado quando fazia a conferência das cartas estelares. Ainda mais agora, que ele acabara de ser substituído pelo imediato, depois de doze horas na ponte, e estava louco de vontade de tirar um cochilo. Então, perguntou-se, que motivo seria este que os obrigava a incomodá-lo e correrem o risco de serem repreendidos?

– Estou indo... – respondeu – Nunca há descanso para meus velhos ossos...

+ + + +

Os destroços flutuavam aleatoriamente no vácuo. Era um breve momento antes de se precipitarem em direção ao gigante gasoso e serem incinerados em sua atmosfera.

– Mas que diabos houve aqui?! - o capitão exclamou ao observar a cena pela vidraça.

– Nossos sensores indicam que deve ter ocorrido a pelo menos uma semana, sir. Neste momento, estamos escaneando à procura de sobreviventes...

– Nada poderia sobreviver por tanto tempo...

– É o protocolo, sir.

O capitão olhou para seu imediato. O rapaz, que tinha idade para ser seu filho, poderia ter um futuro promissor na companhia, se parasse de seguir protocolos e começasse a cumprir prazos.

Ele tinha certeza de que era uma tarefa inútil que apenas fazia-os perder um tempo precioso. Portanto, resolveu ordenar que parassem com aquilo e voltassem à rota original. Chegou a abriu a boca, mas o bip do scanner fez com que a fechasse novamente, e ele limitou-se a fazer uma careta. Detestava ser contrariado.

– Biossinais localizados. Chegando coordenadas. Parece ser um módulo de fuga...

– Recolha-o e retome o curso – disse, irritado - Espero que este infeliz esteja vivo depois de nos atrasar.



PRIMEIRA PARTE


Próxima Três estava em polvorosa.

O deputado Armani Kelly, um proeminente líder da Câmara Governamental e principal articulador da proposta da emancipação político - administrativa do planeta em relação a Kariath-Yarin, foi acusado de aliciamento de menores, extorsão e chantagem contra desafetos políticos.

As palavras: armação, investigação e mentiroso eram ouvidas nas ruas e nos meios de comunicação à todo momento. Nenhum cidadão proxímeense se ausentava em dar sua opinião.

J. M. Mokdessi sorriu antes de fechar o jornal, onde lera a última sobre o escândalo. Sua matéria tinha rendido mais do que imaginara.

Está certo que, por ter incomodado gente graúda, o dono de seu jornal o afastou das reportagens investigativas e depois o despediu por publicar a segunda parte de sua matéria num jornal concorrente.

E pensar que durante muito tempo pensou que o cheiro que sentia no escritório do editor fosse de mofo. Na verdade era o cheiro da corrupção.

Deu de ombros. Que tudo pegasse fogo.

Levantou os olhos e leu no painel o anúncio da partida de seu vôo.

Depois de quase ser atropelado, de um modo totalmente suspeito, resolvera aceitar a sugestão de um amigo e desaparecer por uns tempos. Uma viagem pelos territórios da dispersão lhe faria bem e ainda poderia render um livro de viagens, quando voltasse.

Pegou a mala, o casaco, e se dirigiu ao portão de embarque.

+ + + +

A moça largou o copo sobre a mesa. Lançou um olhar para o local de onde vinha à balbúrdia. Estreitou os olhos e se levantou.

Hobgoblins são humanóides robustos que atingem dois metros de altura. É uma raça militar: eles vivem e acreditam piamente que a força e as habilidades marciais são as qualidades mais desejadas entre os indivíduos e os lideres.

Aparentados com os goblins estes seres são freqüentemente contratados pelos mercadores galácticos como mercenários, chegando a constituir o grosso de suas forças militares. Quando não estão trabalhando para seus primos costumam invadir planetas e colônias, com suas frotas de aprisionamento, em busca de escravos. E é esse passatempo que levou os principais planetas humanos a classificar os hobgoblins como povo hostil.

Como povo hostil os hobgoblins não costumam se relacionar com as raças, ditas, civilizadas. Quando o fazem é porque seus empregadores e chefes tribais assim exigem. Este parecia ser o caso dos três hobgoblins, sentados três mesas à frente de onde ela estava.

Entediados, decidiram dar vazão aos seus instintos selvagens bolinando a pobre garçonete que fora incumbida de atendê-los.

- Nããooo!! - ela protestou, assim que um deles segurou-a pelo braço, impedindo que se afastasse.

Desesperada, a garçonete olhou em volta, mas tudo o que viu foi à covardia envergonhada dos outros clientes e garçons.

– Que é isso, gracinha! Venha sentar com a gente, e se gostarmos de você, podemos até levá-la conosco para nos satisfazer.

Um deles exibiu os dentes de leão amarelos e fétidos maliciosamente e a puxou para seu colo. A garota não se moveu. Um braço segurava-a pela cintura. A garçonete soltou um suspiro de alivio.

– Vocês não podem monopolizar a garçonete assim. Ela tem que atender os outros clientes – uma voz feminina e debochada soou atrás do ouvido da atendente.

– Quem é você?! - o mais afoito deles se levantou, encarando-a.

Ela soltou a garçonete e empurrou-a para longe.

- Alguém que pretende lhes mostrar como se deve tratar uma dama...

Cadeiras foram empurradas e os hobgoblins cercaram-na.

– Você fala demais, fêmea humana! É muito abusada!

– Mas você não pode com esta abusada aqui.

A mulher estufou o peito e levantou o queixo, em sinal de desafio. Não acostumados a serem desafiados por uma fêmea, os hobgoblins avançaram, dispostos a ensinarem àquela mulher o seu devido lugar.

Mas não seria tão fácil.

Num rápido movimento ela lançou a mesa sobre o que estava mais perto. Ele foi ao chão sobrepujado pelo peso da mesma, pelos talheres e garrafas. O da direita soltou uma imprecação, em seu idioma gutural, avisando-a.

Este foi seu erro.

Um giro de perna, que pegou em seu pescoço, lançou-o sobre as mesas próximas. Infelizmente, o movimento deixou-a de costas para seu próximo atacante. Ela pôde sentir seu bafo raivoso quando seus potentes braços a aprisionaram.

O hobgoblin chegou a esboçar um sorriso, mas sua aparente vitória foi interrompida em questão de segundos.

– Argh!!!! – Soltou um gemido feroz antes de recuar por causa do golpe de calcanhar que atingira seu aparelho reprodutor.

Vendo-se livre, ela avançou.

Primeiro desferiu um golpe de direita. Depois um ataque certeiro, desferido de baixo para cima, em seu queixo, fez com que fosse arremessado sobre as mesas adjacentes. O som de algo se quebrando misturou-se ao de pratos e garrafas.

Respirou, por alguns segundos, contemplando sua obra.

Uma pausa mortal.

– Atrás de você!

O alerta nem havia terminado e a arma aparecera em sua mão, como por mágica.
Um giro de corpo.

Um disparo certeiro.

E o hobgoblin traiçoeiro foi desarmado; sua arma foi ao chão e ele acudiu a mão ferida. Bufava de dor e ódio.

Ela sorriu.

– A festa acabou, gracinha - a voz do primeiro hobgoblin fê-la lembrar que se descuidara novamente - Solte a arma lentamente...

"Droga", praguejou mentalmente enquanto procurava um meio de reverter à situação. Não precisou.

– Acho que quem deve largar a arma é você, meu amigo.

Alguém apontava uma pistola para a cabeça do alienígena.

– Não se meta humano, isto não te diz respeito!

– Ah, diz sim! Porque, apesar de todo o empenho desta dama, vocês ainda não aprenderam a tratar as mulheres alheias com respeito...

– Ora seu...

– Rápido!!! Meu dedo está coçando...

Ouviu-se o som da arma se chocando contra o chão.

– Bom garoto. Agora, se você e seus companheiros desaparecerem de minha frente, talvez... Talvez, eu não dê queixa à segurança da nave...

Resmungando em seu idioma nativo, os hobgoblins acudiram seu companheiro inconsciente e desapareceram.

– Obrigada, senhor - ela agradeceu, devolvendo a arma no coldre - Cheguei a pensar que não havia homens a bordo...

– Percebo... - ele respondeu após olhar em volta e ver os homens com olhares assustados quase a beira do pânico.

- Mas espero que me considere um homem, apesar de me demorar em socorrê-la, porque parecia que estava tudo sobre controle.

– E estava. Até estes infelizes sacarem as armas. Bando de porcos. Dão uma de valentões com uma pobre coitada, mas quando aparece uma mulher de verdade, eles apelam.

– Não se exalte, ao invés, permita-me pagar-lhe um drinque.

– Bom, depois deste exercício, molhar a garganta não seria mal - ela sorriu - mas mamãe me proibiu de beber com estranhos.

– Não seja por isso: João Marcos Mokdessi a seu dispor – ele fez uma mesura, fazendo-a sorrir novamente - E sua graça?

– Silvana, sua serva – ela estendeu a mão, que foi apertada esfuziantemente por J.M. - Agora que nos conhecemos, que tal me pagar aquele drinque?

Ele sorriu e indicou-lhe a saída.

+ + + +

O uísque, de terceira categoria, desceu queimando a garganta de J.M. e sua careta foi imperceptível. Estava viajando há tanto tempo que começava a se acostumar com aquelas beberagens das naves de carreira.

Apesar de que, naquele momento, o que menos importava era a bebida, mas sim a companhia; sentada à sua frente, segurando uma caneca de cerveja enquanto olhava pela vidraça, estava uma das mulheres mais belas que já vira.

Sua pele morena, seus olhos brilhantes amendoados, e seus cabelos negros como o vazio estelar, presos num coque na altura da nuca, formavam um todo harmônico com seu corpo de proporções perfeitas.

– Me diga, “seu” João...

– Por favor, me chame de J.M. É assim que meus amigos me chamam.


– J.M. então – ela tomou um gole da cerveja – Como ia dizendo... O que o traz para estas paragens? É óbvio que não é destes lados, por causa do modo que se veste e como trata uma mulher...

– Vou aceitar como um elogio – ele sorriu, pensando em como alguém podia esquecer que ela era uma fêmea.

Ela retribuiu o sorriso e seus dentes eram alvos e perfeitos. Era um sorriso franco e cristalino como as águas das fontes de Themari Quatro.

J.M. pensou sobre como o destino podia ser irônico: se Silvana tivesse nascido em Guimaraes, ou até mesmo em Próxima Três, poderia ser uma celebridade. As carreiras de atriz, modelo ou cantora estariam sempre à sua disposição.

Mas, na Dispersão, se não quisesse se tornar esposa de algum barbudo suado, ou prostituta em alguma taverna de asteróide, sua única opção era a carreira de mercenária.

- Mas você ainda não respondeu minha pergunta...

– Digamos que estou aqui por força de minha ocupação. Sou jornalista, acabei incomodando gente graúda e decidi escrever um livro de viagens...

– Essas coisas acontecem com muita freqüência...

– E você? Está viajando a trabalho ou a lazer?

– Nem um, nem outro – ela voltou o rosto para a vidraça como se meditasse por alguns segundos – Se eu lhe dissesse que estou numa jornada para descobrir quem sou, você acreditaria?

J.M. levantou uma sobrancelha. O tom melancólico das palavras aguçou sua curiosidade jornalística.

– Não lhe disse que sou repórter? Você se espantaria com as histórias que ouvi...

Silvana molhou mais uma vez a garganta. Não sabia se deveria contar. Não era do tipo que gostava de falar de sua vida com qualquer um.

"Senhores passageiros: dentro de cinco minutos estaremos fazendo uma parada de rotina, com duas horas de duração, na estação Hekakken. As comportas serão abertas para aqueles que desejarem visitá-la. Repetindo: Senhores passageiros...".

O sistema de som da nave tirou-a da dúvida.

– Desculpe-me, J.M., mas vou ter que deixar para a próxima – disse, se levantando – Pretendo ficar por aqui.

– Não seja por isso, se pretendo escrever um livro de viagens, preciso conhecer a fauna local...

– Cuidado jornalista! Por aqui, a fauna costuma engolir os incautos!

– Estarei sendo protegido por duas mulheres.

J.M. deu três palmadinhas no coldre, onde a pistola descansava.

Ela sorriu.

– Que seja. Nos vemos daqui a cinco minutos.



SEGUNDA PARTE


Hekakken fora, um dia, um próspero entreposto espacial. Mas agora não passava de uma estação semimorta, habitada por aqueles que não haviam conseguido partir.

Silvana e J.M. caminhavam pela área das docas, único setor que parecia continuar habitado, o que não queria dizer que seu estado era menos deprimente.

– Este lugar tá quase morto – ela comentou, observando o estado de abandono dos edifícios - E haviam me dito que isto era um importante entreposto... hunf!!

– E foi. Pelo menos, até as rotas de comércio serem desviadas para longe deste sistema. E a situação vai piorar. Antes de partir descobri que a nave que pegamos pode ser a ultima a voar por este setor...

Entretido na conversa, J.M. não percebeu um menino vinha em sua direção. O choque é inevitável e os dois quase vão ao chão. J.M. se concentrou em manter o equilíbrio e a criança continuou seu caminho, sem olhar para trás.

– Será que não ensinam educação às crianças nesta estação? – Silvana resmungou - O que foi?

Desconfiado, o repórter revistava os próprios bolsos. Como se procurasse algo. Que não encontrou.

– O moleque roubou minha carteira!

+ + + +

– Maldito moleque! Quando pegá-lo, vou bater tanto que esquecerá o caminho de casa!

J.M. xingava e corria ao mesmo tempo. O suor escorria de sua testa.

Silvana sorria ao ouvi-lo. Era um típico citadino. Muito trabalho mental. Pouco preparo físico. Mal a perseguição começara e começava a mostrar sinais de cansaço.

– Concentre-se em correr! Senão terá um enfarte!

Ele fechou a boca, após mais um resmungo. Ela voltou sua atenção para o pivete à sua frente. Num primeiro instante, Silvana pensou que a perseguição seria inútil. O garoto provavelmente conhecia a estação como a palma de sua mão.

Teve que reavaliar seu pensamento.

Ele tinha pernas fortes e era ágil. Mas por algum motivo, não conseguia desvencilhar-se deles. Não o alcançavam, mas nunca o perdiam de vista. Quatro ou cinco vezes ele desapareceu, após dobrar uma esquina. Ganhando uma vantagem preciosa. E, assim que eles dobravam a mesma, lá estava ele. Como se os esperasse, para poder reiniciar o jogo de gato e rato.

Mas, quem era o rato? Quem era o gato?

– Vamos nos separar J.M.! Talvez possamos cercá-lo...

Ele balançou a cabeça, concordando, e ela desapareceu por um beco.

+ + + +

O repórter parou. O moleque desaparecera mais uma vez.

Sua respiração arfava e seu coração parecia querer sair pela boca. Pôs as mãos nos joelhos e procurou controlar a respiração.

“Droga!” – soltou uma imprecação mental – “Devia ter freqüentado mais a academia. Seguido o conselho dos amigos ao invés de cultivar aquela barriguinha de boa-vida”.
- Tá cansado, moço?

Olhou para frente. O moleque tinha voltado e exibia um sorriso zombeteiro.

– Quando eu acabar com você, filho de chocadeira...

– Você tem uma língua afiada, “seu” repórter.

J.M. se levantou num átimo. Seus olhos miraram o homem que apareceu atrás do garoto. O verdadeiro vilão havia aparecido.

Lógico! Onde havia menores infratores, sempre havia alguém no controle. Estes eram os verdadeiros trombadinhas. Ou melhor: trombadões. E, como os ratos que eram, sempre andavam em bandos.

Quatro. Cinco. Talvez seis. Todos armados.

– Se eu fosse o senhor não pensaria nisso!

J.M. afastou a mão do coldre. Suava frio. Estava cercado. Já prenunciava seu fim; seria espancado até a morte e depois depenado. Com sorte, seu corpo seria expelido pelo sistema de detritos da estação. Se não fosse deixado para apodrecer ali mesmo.

– O que vocês querem?

– Não preciso dar respostas a um morto...

O trombadão deu uma gargalhada sinistra e apertou o gatilho.

J.M. fechou os olhos.

Era o fim.

A sombra da morte surgiu à sua frente envolvendo-o em seus braços e arrastando sua alma condenada para o inferno.

O impacto contra o piso frio da estação foi mais dolorido do que imaginava.

– Se aprume, homem! Ou morrerá!

Espantado, abriu os olhos a tempo de ver Silvana sacar a arma e disparar contra os homens mais próximos. Um grito de morte foi ouvido.

A sombra que J.M. achou ser a própria morte era, na verdade, Silvana que surgira de repente puxando-o para a proteção de um contêiner de detritos.

– Como você chegou aqui?!

– Agora não é hora para perguntas.

Silvana se abaixou procurando proteção dos disparos inimigos que resvalavam na borda do contêiner.

- Nem para respostas! – completou a frase.

Silvana levantou-se e disparou. Um corpo foi ao chão.

Menos dois. Faltavam quatro.

Uma nova saraivada de lasers fez com que Silvana voltasse a procurar abrigo.

Desta vez, demorou mais. Mas quando terminou, Silvana se levantou pronta para revidar.

– Abaixe-se!

J.M. gritou ao mesmo tempo em que puxava a caça-prêmios para baixo. Apontou a arma e disparou. No alto da escada de incêndio, o bandido levou a mão ao peito antes de despencar. Houve um estrondo quando ele se chocou contra o piso.

Não havia tempo para agradecimentos. Novos disparos fizeram com que eles se abrigassem. Seus adversários estavam furiosos. Perderam três companheiros e nem haviam conseguido feri-los.

A raiva deixa o homem imprudente. Novamente, os disparos demoravam mais que o normal. Novamente, seus inimigos estavam se movendo. A caça-fortuna olhou para J.M. e ele entendeu o recado. Ela levantou a arma e disparou a esmo. Os disparos em retaliação aumentaram.

Neste instante, J.M. rolou para fora da proteção. Ao vê-lo, os dois meliantes que avançavam, procurando uma melhor posição de tiro, pararam e vacilaram.

Foi seu último erro. A pistola de J.M. foi certeira. Quando seus corpos tocaram o chão, já não respiravam.

O restante se desesperou e tentou fugir. Na pressa deu as costas aos seus adversários. Também foi o último erro seu. A força dos balaços impulsionou seu corpo para frente antes de despencar, sem vida, sobre uma poça de óleo.

Silvana sorria. Sua arma fumegava. Não desperdiçara munição.

– Estes nunca mais vão importunar os turistas.

J.M. pegou sua carteira, que estava jogada no chão. Não havia o menor sinal do moleque.

– Assim que voltarmos, avisaremos o delegado da estação...

– Está louco! Quer ser detido por assassinato? Além do mais, é óbvio que eles devem estar mancomunados com a policia local...

– Mas... Não podemos deixá-los aqui!

– Por que não? Não era isto que iam fazer com você? Bah! Faça o que quiser, J.M. Vou voltar para as docas...

Silvana deu as costas aos cadáveres e seguiu rumo as luzes. O repórter permaneceu alguns segundos contemplando-os, mas após um suspiro foi atrás dela.


+ + + +

Não demorou muito para que retornassem a área das docas. Silvana dirigiu-se a um hangar aonde poderia alugar um escaler.

– O que pretende fazer? – J.M., que continuava acompanhando-a, perguntou.

– Lembra que falei que desceria por aqui? Então, pretendia visitar um posto de fronteira aqui perto nos próximos dias. Mas graças a este incidente vou ter que acelerar meus planos. Quanto menos tempo ficarmos, melhor...

J.M. sabia que ela tinha razão; quando achassem os corpos dos bandidos, o exame pericial indicaria a hora da morte. Um rápido rastreio nos registros das docas mostraria quais eram as naves atracadas no momento. Quais tripulantes e passageiros haviam descido. Então, para se chegar a eles seria um pulo. E um exame de balística encerraria o caso.

Olhando para seu lado pessoal, J.M. tinha um agravante a mais. Ele duvidava que a arma de Silvana fosse registrada, mas a dele era. Seu indiciamento seria uma questão de tempo.

– Vou com você...

– Não vai, não! – ela parou e o encarou - Você vai voltar para a nave e seguir seu caminho...

– Escuta! Fui eu que te meti nesta enrascada, então não posso sair assim. Deixe-me ficar com você até abandonarmos está área. Pense, Silvana. Ainda irá demorar para que a nave parta.

– Lembre-se que aquele pivete desapareceu, e ele pode muito bem dar queixa, alegando que dois turistas malvados mataram seus irmãos. Tudo regado com as caudalosas lágrimas de uma criança assustada. Não quero voltar para lá e esperar um policial corrupto de meia pataca me pegar.

Mesmo com toda sua argumentação, parecia que ele não a havia convencido. Então, partiu para seu ultimo recurso: juntou as mãos em forma de suplica e fez sua melhor cara inocente.

- Por favor,... Eu prometo que não vou atrapalhar. Ficarei dentro do shuttle, o tempo todo se você quiser... Por favor,...

Ela coçou a cabeça e depois sorriu.

– Você não presta!!

+ + + +

A luz era fraca. Por momentos os corpos mesclavam-se com as sombras, que se projetavam sobre eles. Corpos abandonados que demorariam mais que o necessário para serem achados. Contemplando aquela arena de morte havia alguém envolto por num sobretudo negro, que escondia duas pistolas em sua cintura. Sua expressão era de indiferença ante a cena que contemplava.

– É por isso que dizem; não mande crianças fazerem serviço de homem. Estes incompetentes não conseguem dar cabo nem de um repórter afetado...

Não ignorava o fato do jornalista ter tido ajuda. Mas, este detalhe não conseguia explicar o porque de seis homens perderem para dois. Acendeu um cigarro e deu uma tragada. Saboreando cada momento antes de soltar a fumaça.

– O que você tem pra me dizer, moleque?

Ao ser indagado o trombadinha saiu das sombras e se aproximou. Seus olhos estão fixos nos corpos dos companheiros mortos. Olhos de medo e desespero.

– Desembucha!

– Eu os segui, como o senhor ordenou, até as docas. Onde alugaram um escaler e partiram. O dono me disse que eles iriam pro posto do exército...

Uma nova tragada.

– Tome! - lançou alguns créditos aos pés do menino - Pelo menos você, deste bando de imbecis, fez seu trabalho direito.

Deu uma nova tragada e pôs-se em movimento. Desta vez não delegaria suas responsabilidades a terceiros.

TERCEIRA PARTE


O escaler cortava o vácuo em direção ao posto militar abandonado.

Havia muitos como aquele naquela zona. Durante vinte anos, aquela fora uma área de conflito. Os assaltos aos cargueiros tornaram-se endêmicos. A Companhia das Índias Galácticas construiu dezenas deles para monitorar as vias de navegação.

Mas há cinco anos a paz foi alcançada, e com o desvio das rotas de comércio para outros sistemas, a região se transformou numa área estéril. Pelo menos este era o ponto de vista dos piratas. Os postos, então, perderam sua função, e começaram a serem paulatinamente desativados.

– Sendo curioso: o que você vai fazer num posto fantasma?

– Há três anos um cargueiro localizou nesta área os destroços de um transporte militar, e resgataram o único sobrevivente...

– E este sobrevivente seria você?

– Lembra quando te disse que estava numa jornada de autodescobrimento? Então, quando acordei, dois dias depois, não me lembrava de nada. Somente tenho um nome porque carregava as placas de identificação.

Silvana enfiou a mão dentro da camiseta e puxou uma corrente que trazia na ponta duas placas de identificação militar.

– Porque não procurou ajuda? Um exame de DNA teria lhe revelado quem era.

– Mas não traria de volta minhas memórias. De que adiantaria eu saber que sou filha de fulano de tal, um general ou que tive um esposo e dois filhos maravilhosos se não me lembraria dos momentos em que passamos juntos? Mesmo sabendo que tivera este relacionamento com eles agora, para mim, eles seriam completamente estranhos...

Ela suspirou, enquanto ajustava a rota da nave.

– Então decidi retornar para meu lugar, se eu tiver algum, somente quando conseguir me lembrar das alegrias e tristezas de antes daquele acidente.

– E pretende encontrar respostas neste posto?

– É o mais próximo da área onde fui encontrada. Talvez o transporte onde eu viajava tenha saído daqui. Olha! Lá está ele!

Ela aponta a estrutura discóide fracamente iluminada pela luz da estrela do sistema.

+ + + +

A comporta da câmara de descompressão se abriu e duas figuras, vestidas em trajes de vácuo, entraram no corredor debilmente iluminado.

– Pelo menos, as luzes de emergência ainda funcionam – J.M. apontou para os globos presos ao teto que imitiam uma luz avermelhada.

– Espero que algo mais funcione – Silvana olhou para o pulso, onde um mostrador digital indicava a composição atmosférica.

- Tá meio viciado, mas é respirável.

Um leve zumbido, provocado pelo escape do ar, foi ouvido quando soltaram os lacres e retiraram os capacetes. O ar viciado irritou-lhes a garganta e os olhos. J.M. teve um acesso de tosse.

– É melhor você me esperar aqui. Volto logo - sem esperar resposta ela desapareceu na curva do corredor.

Imediatamente o repórter voltou a colocar o capacete e respirou aliviado. Não estava acostumado com aquele tipo de atmosfera. Tinha cheiro e gosto de ovo podre. E ovos sempre lhe causaram náuseas.

+ + + +

Silvana prosseguiu pelo corredor até chegar a uma porta de elevador. Digitou alguns comandos no painel e a porta se abriu. Sorriu ao constatar que os geradores auxiliares ainda funcionavam.

Entrou e digitou o andar de destino.

Se os esquemas que ela tinha adquirido em Rhotundaa eram realmente de um posto espacial Tipo G-13, dentro de alguns segundos ela estaria no centro de comando.

O elevador parou e a porta abriu.

Silvana sorriu. Os esquemas haviam valido cada crédito.

A sua frente se estendia uma profusão de painéis e consoles. As telas dos computadores estavam escuras e a luz avermelhada dava-lhes uma coloração estranha.

Silvana se aproximou de um dos painéis agachou-se, destravando e retirando uma placa de plástico que escondia uma série de chaves e cabos. Fez uma comparação mental entre os esquemas elétricos da planta que comprara e o que via a sua frente.

Mudou um cabo. Mexeu numa chave. Mudou outro cabo. Mexeu outra chave. Devolveu o primeiro cabo a seu lugar original e manipulou uma terceira chave.

As telas de cristal líquido ligaram, uma a uma, como uma cascata.

Rapidamente, Silvana retirou um pequeno aparelho do macacão e se aproximou do primeiro console. Ela o colocou sobre o teclado e puxou dois fios que foram conectados as entradas auxiliares.

Digitou uma seqüência de cinco números. Quase de imediato, todos os números passaram pela pequena tela do aparelho. Cinco números foram selecionados e um bip imperceptível anunciou a quebra da senha.

A tela mudou o tom azulado e exibiu o logo do exército espacial e seus menus. Então, retirou um disco de memória e colocou no drive.

Sentou-se e começou a vasculhar a máquina.

Silvana sabia que os arquivos importantes haviam sido copiados e em seguida deletados. Inclusive o backup.

Mas ela apostava que não consideravam os históricos de pousos e decolagens como de suma importância e, se seus arquivos tivessem sido apagados, não se preocupariam tanto em se desfazer do backup que o computador central fazia automaticamente.

Clicou uma letra e o histórico apareceu. Sorriu por que estava certa. Ainda mais porque desconfiara que estariam criptografados e trouxera o disco de memória. Não sabia lidar com linguagem criptográfica, mas conhecia um amigo em Kariath-Yarin que era mestre no assunto.

Deu o comando e esperou.

Seus olhos percorreram o aposento e pararam curiosos sobre uma tela, num dos consoles; caracteres se autodigitavam tendo ao fundo várias imagens de uma das baias de atracagem externas:

"Atenção: Nave atracando"

Seus olhos se arregalaram. Pulou da cadeira.

+ + + +

J.M. retirou o capacete e respirou a atmosfera calma e pausadamente. O enjôo ameaçou voltar, mas ele agüentou.

Seus olhos já não ardiam mais. Mas sua garganta parecia uma lixa. Seus pulmões doíam, e o estômago girava. Somente sua teimosia não o deixava colocar rapidamente o capacete. Estava disposto a conseguir respirar normalmente naquele tipo de atmosfera, por mais repugnante que parecesse.

O enjôo aumentou e diminuiu diversas vezes. Sua intensidade foi diminuindo, assim como o ardume em seu pulmão. Somente a garganta continuava irritada, mas ele sabia que uma boa dose de uísque resolveria o problema.

Sorria para si mesmo. Se parabenizava por ter conseguido, apesar de ainda sentir como se estivesse num esgoto.

Foi neste momento de realização que as luzes da comporta de descompressão começaram a piscar. O repórter não se demorou em pensamentos. Procurou um lugar seguro e sacou a arma.

A comporta se abriu e deu passagem a um homem de sobretudo preto. Seus olhos de gavião perscrutaram toda a extensão do corredor. E quando parecia que tinha tomado a decisão de qual lado seguiria, J.M. decidiu se revelar.

– Pode parar ai mesmo, moço – disse apontando a arma para o peito do estranho.

Este apenas olhou para ele e esboçou um sorriso em seus lábios de granito.

– Senhor Mokdessi, eu presumo?!

– Antes de responder como é que sabe meu nome, é melhor se livrar disso aí – ele apontou para a pistola que aparecia sob a aba do sobretudo - Bem devagar...


O homem parou de sorrir. Começou a desafivelar, lentamente, o cinturão e retirou-o levantando até a altura dos olhos de J.M.

– Jogue para cá! – o repórter ordenou.

Ao ver o cinturão ser lançado, em sua direção, os olhos de J.M. seguiram sua trajetória. Por uma fração de segundo o forasteiro desapareceu de sua vista.

Uma fração de segundo mortal.

Os olhos do repórter se arregalaram ao ver aparecer, na mão esquerda do homem, uma outra pistola Gauss. Seu sangue gelou quando percebeu que ela cuspiu sua carga de morte. J.M. sentiu a dor dilacerante do impacto em seu ombro direito e num ato reflexo acudiu-o, soltando a arma.

Em meio a dor que estreitavam seus olhos, pode ver o sorriso perverso do homem de sobretudo. Ele disparava novamente.

Dois disparos. Suas pernas fraquejaram ante o impacto dos balaços. J.M. recuou até encostar-se à parede, escorregando até se sentar no piso frio da estação.

– Maldito! – resmungou – Foi você... que mandou aqueles bandidos me pegarem... ah... ah... por isso sabiam que eu era um repórter. O que eu fiz para... ungh... você?

– A mim, nada – sorria sarcasticamente – Mas deve ter mexido com alguém que não gostou.

“Armani Kelly”.

O repórter lembrou-se de seu desafeto atual e a causa dele ter resolvido viajar pelos territórios da dispersão. Infelizmente, o braço corrupto de Kelly parecia ter um alcance bem maior do que imaginara.

Um som agudo, de carga elétrica, retirou-o de seus pensamentos.

O assassino tinha se aproximado e sua Gauss estava a poucos centímetros de seu rosto.

– Entenda, não é nada pessoal. É apenas um trabalho. Se tiver que culpar alguém, culpe apenas sua bisbilhotice.

Seus lábios sorriram irônicos, e o repórter via seu fim chegar.

– Olá, Ernest!!

Em toda sua vida, J.M. nunca imaginara como a voz feminina pudesse ser tão doce. Tão angelical.

– Olá Silvana... – Ernest respondeu sem afastar a arma do rosto de J.M. – O que a traz a estas bandas?

– Esta pergunta é minha. O que acha que pretende fazer com meu amigo?

– Vocês se conhecem? – J.M. pergunta entre um gemido e outro.

– Transamos algumas vezes – ela responde, sem tirar os olhos do adversário – Antes de descobrir que tipo de homem ele era...

– E como ela trepa, meu amigo! Como trepa! – Ernest maliciou – Já teve a oportunidade? Não?! Que pena, não sabe o que perdeu...

– Cale-se Ernest! Não mude de assunto! Afaste a arma dele bem devagar...

– He, he. Por quê? Por acaso pretende atirar se eu não fizer isso? Sabe que mandaria seu amigo para o inferno antes de apertar o gatilho.

Ernest sorri e encosta a arma na testa de J.M., pressionando-a. O repórter geme. Seus ferimentos queimam como fogo e a falta de sangue começa a turvar-lhe a mente.

– J.M.!! – Silvana grita, preocupada, desviando o olhar, para o amigo.

Algo que não devia ter feito.

Saltando de dentro da manga do sobretudo, uma mini-pistola laser cai na mão de Ernest. Ele sorri, triunfante, apontando-a para sua ex-amante.

– Ora, Ora. Parece que agora tenho a faca e o queijo na mão. Ou seria; o frango e a galinha... he... he. Que tal ir largando a arma Silvana e, em nome dos velhos tempos, posso te deixar viver. Isto é, se você me agradar.

– Canalha!!! – o repórter grita.

– Cale-se, idiota. Você já é um homem condenado – Ernest pressiona ainda mais o cano contra a testa de J.M.

– Vamos, solte logo esta arma, piranha!

Silvana pensa, mas não consegue encontrar uma saída. J.M. está sangrando, quase inconsciente e tem uma arma apontada para sua cabeça. Ela, por sua vez também está sob a mira de outra.

Sem alternativa, ela obedece. A pistola desliza de seus dedos e começa a trajetória de encontro ao chão.

Então, o improvável acontece.

– Silvana!

O repórter gasta suas últimas forças para gritar. E lança-se contra a arma que estava apontada para sua cabeça, afastando-a e desequilibrando Ernest.

– Maldição!

O assassino grita e dispara contra Silvana. Mas ela já não está mais no lugar. Seu corpo está caindo acompanhando a trajetória de sua pistola.

– Repórter desgraçado! Agora vai morrer! – ele grita enfurecido, apontando para o rosto contorcido de J.M.

– Ernest!

Ao ouvir seu nome, ele vira, atrasando sua ação por um milésimo de segundo, a tempo de ver a pistola pousar na mão da caça-fortunas.

Ela dispara.

Ele arregala os olhos, incrédulo, antes do liquido quente e pegajoso começar a escorrer de sua testa.

Um tiro perfeito.

O corpo de Ernest desaba inerte. De olhos arregalados.

+ + + +

O iate espacial começou a se afastar do posto fantasma.

– Como você está? – Silvana perguntou assim que entrou na sala.

J.M. estava deitado numa das camas, tendo o ombro e as pernas envoltas em bandagens. Vários eletrodos estavam ligados a seu corpo, monitorando suas funções fisiológicas.

– Estou quase pronto para outra – procurou sorriu, mas ao invés, gemeu.

– Obrigado Silvana. Se não fosse a sua ajuda agora eu estaria no inferno...

– Agradeça ao Ernest, não a mim, por ter uma nave toda equipada. Senão, você realmente estaria a caminho do inferno. O cara montou uma verdadeira sala de emergência aqui!

– Me lembre de agradecer-lhe quando nos encontrarmos novamente.

– Lembre-se sozinho; eu pretendo curtir a vida durante muito tempo antes de ir pro inferno. E, aproveite para dizer-lhe que estou cuidando muito bem da nave dele.

O silêncio toma conta da sala durante alguns segundos, até ser quebrado pelo repórter.

– E agora, o que pretende fazer?

– Bem... – ela fungou – apesar de ter baixado os arquivos da estação eles estão criptografados. Por isso, vou atrás de um conhecido que pode convertê-los. Mas antes vou ajustar o curso para que possa interceptar a nave antes que alcance a passagem...

– Peraí! Quem disse que quero voltar para a nave?! Vou ficar com você...

– Está louco! Quase morreu...

– E teria morrido se não fosse você – ele procurou se sentar – Te devo minha vida, duas vezes. É uma divida que não tenho como quitar. Por isso, pelo menos deixe-me ajudá-la a encontrar seu passado. Além do mais, se eu ficar junto a você, o livro que escreverei será muito diferente de um livro de viagens...

– Não sei, não – ela balança a cabeça desconsolada – Você vai é acabar morrendo...
– Por favor. Pelo menos diga que vai pensar, temos um bom caminho até nos encontrarmos com a nave...

– Vou pensar...

Alguns segundos se passam até que ela resolve se levantar e retornar a cabine. Mas, antes de sair, olha por sobre o ombro.

– Já pensei...

Ele a fita, curioso e esperançoso.

– Será bom tê-lo como parceiro.

A porta se fecha deixando-o sozinho, com um sorriso bobo na cara.


FIM

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A Volta do 3D&T

Ele pode ser usado para qualquer cenário ou gênero. Suas regras podem ser aprendidas por um leigo em poucos minutos. É o sistema de RPG mais jogado no Brasil, tem legiões de fãs, e muitos conheceram e entraram no hobby por causa dele.

Estamos falando de 3D&T, é claro. Mas, se ele é tudo isso, porque não existe mais nas lojas? Os motivos são diverso mas o que importa agora é que ele está de volta pela Jambo Editora.

http://www.jamboeditora.com.br/noticias/3d&t-anuncio.php

Antes de você acessar o link já adianto o nome do novo manual:

MANUAL 3D&T ALFA

E o que vai mudar:

- O sistema de combate, absolutamente, não foi mexido. Ainda é Força de Ataque (Força ou Poder de Fogo + Habilidade + 1d) contra Força de Defesa (Armadura + Habilidade + 1d). Mas algumas manobras mudaram. Agora, em cada turno, você pode realizar uma ação (ataque ou magia) e um movimento, ou dois movimentos. Sim, é parecido com o Sistema D20.

- Percebi que muitos grupos jogam apenas com personagens de pontuação máxima (12 pontos) por ser muito difícil construí-los com menos. Por isso, muitas vantagens tiveram seu custo reduzido. Quase todas custam 1 ou 2 pontos, e apenas as mais fortes custam 3 pontos ou mais.

- Quase todas as vantagens antigas ainda estão aqui, mas com modificações mecânicas. No geral, ganharam algum benefício mais palpável em termos de jogo: Mestre (agora Mentor), Patrono e Riqueza quase não afetavam um personagem focado em combate. Isso agora mudou.

- Não há mais diferenças relevantes entre Aliados e máquinas. Agora, um robô ou veículo é simplesmente um Aliado construto. Uma nova manobra para comando de Aliados permite pilotar veículos, controlar robôs gigantes e também atuar como treinador de monstros.

- Há várias novas vantagens únicas (que representam raças), e todas foram organizadas em grupos. São eles: humanos, semi-humanos, humanóides, youkai, mortos-vivos, construtos. Muitas também tiveram seu custo reduzido: quase todas custam 0 ou 2 pontos, e nenhuma custa mais de 5 pontos.

- Antes, 3D&T tinha duas escalas de poder — normal e gigante. Agora, as quatro escalas de poder usadas em 4D&T também valem aqui: Ningen (humano), Sugoi (incrível), Kiodai (gigante) e Kami (deus). Cada uma multiplica por dez a escala anterior.

- O sistema de magias muda por completo. O Manual da Magia é uma promessa antiga e nunca realizada (esse nome deve trazer alguma maldição...), então desisti dele. As novas regras que eu planejava incluir nesse acessório agora estarão no livro básico, substituindo o sistema antigo. Não há mais Focus, mas sim três vantagens mágicas: Magia Branca, Magia Negra e Magia Elemental (que inclui Água, Ar, Fogo, Terra e Espírito), por 2 pontos cada. São regras parecidas com uma adaptação do anime Slayers publicada na antiga Dragão Brasil (que estranho... Lembro que o Trevisan escreveu boa parte daquela adaptação, mas ele jura que nunca viu um episódio de Slayers).

- Armadura Extra, Vulnerabilidade e Invulnerabilidade não têm mais custo em pontos. Elas só podem ser adquiridas como parte de vantagens únicas, ou através de magias e itens mágicos.

- Telepatia não é mais um requisito para magias mentais (elas fazem parte da escola Elemental/Espírito). Esta vantagem agora tem várias outras utilizações.

- Inimigo deixa de ser uma desvantagem. É isso mesmo, acabou o tempo em que você ganhava 2 pontos por adotar um Inimigo poderoso, e passava a campanha inteira sem nunca encontrá-lo! Inimigo agora é uma vantagem, que oferece bônus em combate contra as criaturas que você odeia (é parecido com uma habilidade dos rangers de D&D).

- Arma Especial não é mais uma vantagem. Todos os itens mágicos são comprados com Pontos de Experiência.

- Não há tabelas de armas. 3D&T nunca terá tabelas de armas. De jeito nenhum.

Ainda volto num outro poste pra comentar as mudanças.

Hibridismo

Alguns tópicos sobre híbridos respondidos pelo professor Zacharias Jachyau do Centro de Estudos Sócio-biológicos de Galaad.


- Sobre Híbridos

A palavra híbrido remete ao que é “originário de espécies diversas”, miscigenado de maneira anômala e irregular. Esta origem etimológica foi responsável pelo fato de serem considerados como sinônimos de híbrido, palavras como: irregular, anômalo, aberrante, anormal, monstruoso, etc.

Na época dos primeiros contatos a palavra híbrido designava apenas uma produção genética entre duas espécies vegetais ou animais distintas, que geralmente não podem ter descendência devido aos seus genes incompatíveis. A mula, por exemplo, é um híbrido de jumento com cavalo e é totalmente estéril.

Obviamente o termo “totalmente estéril” teve que ser reavaliado quando a primeira meio-elfa pariu. Atualmente se prefere usar uma outra palavra para se referir aos híbridos: mestiços. Os meios acadêmicos preferem deixar o termo híbrido para se referir às progênies proveniente de cruzamentos humano-orc ou humano-hobgoblin, por exemplo, que são progênies comprovadamente estéreis.

- Sobre Cruzamentos Inter-raciais

Claro que estarei me referindo a híbridos nascidos de cruzamentos naturais. Híbridos nascidos de manipulação genética foram condenados pela Igreja e são proibidos em quase todos os planetas humanos.

Primeiramente temos os Cruzamentos de Duas Vias; assim é denominado, pois um mestiço pode nascer tanto de um relacionamento elfo (macho) –humana (fêmea) como humano (macho)-elfa (fêmea), por exemplo. Elfos, Anões, Humanos e Basteth compartilham este tipo de cruzamento. As progênies destes relacionamentos são férteis.

Testes comparativos de DNA mostraram uma assombrosa similaridade entre o genótipo humano e os genótipos destas três raças. Esses dados dão o que pensar, mas não tenho uma opinião formada até porque essa não é uma questão meramente cientifica, mas também filosófica e teológica.

A seguir temos os Cruzamentos de Via Única, assim denominado, pois um mestiço pode nascer apenas pelo lado masculino ou feminino da relação. Os óvulos de humanas podem ser fecundado por quase todas as espécies racionais que conhecemos, mesmo que essa fecundação de origem a um híbrido estéril.

Essa esterilidade ocorre devido a problemas cromossômicos no processo de meiose, assim, as células desses seres vão possuir um número híbrido de cromossomos que terão dificuldades em formar pareamento.

O único caso documentado sobre hibridismo por via única, pelo lado masculino, são os híbridos que nascem dum cruzamento entre um nativo de Tel-el-Amarna (fêmea) com um humano (macho).

Mas perceba que este dado se refere a espécies racionais da mesma classe: anões, elfos, basteth, humanos e goblinódes são mamíferos e, portanto compatíveis geneticamente. Eu poderia citar outras raças aqui, mas estes exemplos são suficientes. Mas um relacionamento humano-tricera ou humano-troll não produz híbridos, pois triceras e trolls pertencem a classes diferentes da classe dos mamíferos.

- Sobre o preconceito.

Sou um quarteirão, pois possuo um quarto de sangue elfico – minha bisavó era uma meio-elfa de primeira geração. Acredito que os mestiços já estão plenamente inseridos na maioria das sociedades planetárias humanas. Esta inserção é garantida por lei e pregada pela Igreja. A mentalidade tolerante que predominava na época dos primeiros contatos também ajudou.

Entre os mundos e na sociedade humana o preconceito contra mestiços e híbridos é restrito a indivíduos e grupos minoritários. A sociedade humana é pluralista e tende a aceitar o diferente com mais facilidade que outras sociedades. O que falta é a derrubada de tabus que ainda persistem individualmente. Mas talvez nunca consigamos derrubar esse tabu, por que afinal, ainda não existem aqueles que nutrem preconceito contra pessoas de pele escura.

O preconceito que os elfos devotam aos meio-elfos está ligado a sua noção de pureza da raça. Perceba que a questão dos híbridos é recente na história elfica, apesar de estarem em contato com outras raças a milhares de anos, foi somente após o contato com a humanidade que o hibridismo se tornou comum naquela sociedade. Podemos frisar que na sociedade elfica está é uma questão sócio-cultural. Mas esse é um pensamento que está mudando, pelo menos nos planetas com grande população humana como Manasses.

Acho que todas as raças tem muito a aprender com os anões e basteth. Estes julgam os híbridos anões e basteth pelos seus atos e não pelos seus genes.

- Sobre Tel-el-Amarna

A situação de Tell-el-Amarna é complexa e não sou capacitado para tentar elucidá-la, mas penso que é um problema religioso e político.

O Islã, ao contrário do cristianismo, é uma crença exclusivista, ou seja, eles crêem que a salvação está aberta apenas para os humanos. Por isso relacionamentos inter-raciais são vistos como uma aberração e uma forma de bestialismo. A manutenção desta crença é importante para a política de segregação que o governo local emprega contra os nativos de Tell-el-Amarna. Infelizmente não são poucos os relatos de famílias que “lavaram a honra” matando algum membro que se envolveu na pratica do “bestialismo”, ou seja, manteve um relacionamento com um não-humano.

O problema dos mestiços é apenas um dos muitos problemas que afetam Tel-el-Amarna e sua solução passa pela solução de todos os outros. Talvez, e aqui enfatizo o talvez, se os outros mundos pressionassem e ameaçassem com bloqueios comerciais o governo local buscaria soluções mais rapidamente. Mas esta mesma pressão não poderia ser feita contra os goblins, porque ninguém pode desafiar o poder dos mercadores galácticos.

- Sobre os goblins.

Nenhuma destas formas de preconceito que citei chega ao extremo empregado pelos goblins. Como sabemos o cruzamento inter-racial com os goblins é de Via Única, ou seja, um goblin fecunda uma fêmea humana ou elfica, mas o mesmo não acontece com um macho humano ou elfo, pois eles não fecundam uma goblin. Junte este fato ao detalhe de que os goblins ricos mantém vastos haréns de elfas e humanas e teremos todos os elementos para que aja uma explosão de meio-goblins.

Mas isso não acontece não é mesmo? Para o goblin um híbrido é uma aberração, algo anormal e monstruoso que não devia ter nascido. Um goblin que dá origem a um híbrido é imediatamente considerado um paria – a mais baixa casta de sua sociedade. Ele perde tudo desde suas posses, prestigio até o direito a própria vida. Sendo assim como o rico goblin evita gerar híbridos? Respeita o ciclo de suas concubinas? Esterilização em massa?

Escravas não têm direitos para serem respeitados e esterilização custa dinheiro. Por isso o goblin recorre a mais antiga forma de infanticídio que se tem noticia: o aborto. Assim que a escrava apresenta os primeiros sinais de gravidez um aborto é encomendado. Se ela esconde a gravidez ou luta contra o aborto ela é sacrificada. Uma escrava sempre pode ser reposta, mas a posição social nunca mais pode ser recuperada. Essa pratica é tão eficiente que a única híbrida meio-goblin conhecida é Mama Estrelanegra - a pirata espacial. Somente Deus sabe como ela escapou de seu destino fatal.