sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Hibridismo

Alguns tópicos sobre híbridos respondidos pelo professor Zacharias Jachyau do Centro de Estudos Sócio-biológicos de Galaad.


- Sobre Híbridos

A palavra híbrido remete ao que é “originário de espécies diversas”, miscigenado de maneira anômala e irregular. Esta origem etimológica foi responsável pelo fato de serem considerados como sinônimos de híbrido, palavras como: irregular, anômalo, aberrante, anormal, monstruoso, etc.

Na época dos primeiros contatos a palavra híbrido designava apenas uma produção genética entre duas espécies vegetais ou animais distintas, que geralmente não podem ter descendência devido aos seus genes incompatíveis. A mula, por exemplo, é um híbrido de jumento com cavalo e é totalmente estéril.

Obviamente o termo “totalmente estéril” teve que ser reavaliado quando a primeira meio-elfa pariu. Atualmente se prefere usar uma outra palavra para se referir aos híbridos: mestiços. Os meios acadêmicos preferem deixar o termo híbrido para se referir às progênies proveniente de cruzamentos humano-orc ou humano-hobgoblin, por exemplo, que são progênies comprovadamente estéreis.

- Sobre Cruzamentos Inter-raciais

Claro que estarei me referindo a híbridos nascidos de cruzamentos naturais. Híbridos nascidos de manipulação genética foram condenados pela Igreja e são proibidos em quase todos os planetas humanos.

Primeiramente temos os Cruzamentos de Duas Vias; assim é denominado, pois um mestiço pode nascer tanto de um relacionamento elfo (macho) –humana (fêmea) como humano (macho)-elfa (fêmea), por exemplo. Elfos, Anões, Humanos e Basteth compartilham este tipo de cruzamento. As progênies destes relacionamentos são férteis.

Testes comparativos de DNA mostraram uma assombrosa similaridade entre o genótipo humano e os genótipos destas três raças. Esses dados dão o que pensar, mas não tenho uma opinião formada até porque essa não é uma questão meramente cientifica, mas também filosófica e teológica.

A seguir temos os Cruzamentos de Via Única, assim denominado, pois um mestiço pode nascer apenas pelo lado masculino ou feminino da relação. Os óvulos de humanas podem ser fecundado por quase todas as espécies racionais que conhecemos, mesmo que essa fecundação de origem a um híbrido estéril.

Essa esterilidade ocorre devido a problemas cromossômicos no processo de meiose, assim, as células desses seres vão possuir um número híbrido de cromossomos que terão dificuldades em formar pareamento.

O único caso documentado sobre hibridismo por via única, pelo lado masculino, são os híbridos que nascem dum cruzamento entre um nativo de Tel-el-Amarna (fêmea) com um humano (macho).

Mas perceba que este dado se refere a espécies racionais da mesma classe: anões, elfos, basteth, humanos e goblinódes são mamíferos e, portanto compatíveis geneticamente. Eu poderia citar outras raças aqui, mas estes exemplos são suficientes. Mas um relacionamento humano-tricera ou humano-troll não produz híbridos, pois triceras e trolls pertencem a classes diferentes da classe dos mamíferos.

- Sobre o preconceito.

Sou um quarteirão, pois possuo um quarto de sangue elfico – minha bisavó era uma meio-elfa de primeira geração. Acredito que os mestiços já estão plenamente inseridos na maioria das sociedades planetárias humanas. Esta inserção é garantida por lei e pregada pela Igreja. A mentalidade tolerante que predominava na época dos primeiros contatos também ajudou.

Entre os mundos e na sociedade humana o preconceito contra mestiços e híbridos é restrito a indivíduos e grupos minoritários. A sociedade humana é pluralista e tende a aceitar o diferente com mais facilidade que outras sociedades. O que falta é a derrubada de tabus que ainda persistem individualmente. Mas talvez nunca consigamos derrubar esse tabu, por que afinal, ainda não existem aqueles que nutrem preconceito contra pessoas de pele escura.

O preconceito que os elfos devotam aos meio-elfos está ligado a sua noção de pureza da raça. Perceba que a questão dos híbridos é recente na história elfica, apesar de estarem em contato com outras raças a milhares de anos, foi somente após o contato com a humanidade que o hibridismo se tornou comum naquela sociedade. Podemos frisar que na sociedade elfica está é uma questão sócio-cultural. Mas esse é um pensamento que está mudando, pelo menos nos planetas com grande população humana como Manasses.

Acho que todas as raças tem muito a aprender com os anões e basteth. Estes julgam os híbridos anões e basteth pelos seus atos e não pelos seus genes.

- Sobre Tel-el-Amarna

A situação de Tell-el-Amarna é complexa e não sou capacitado para tentar elucidá-la, mas penso que é um problema religioso e político.

O Islã, ao contrário do cristianismo, é uma crença exclusivista, ou seja, eles crêem que a salvação está aberta apenas para os humanos. Por isso relacionamentos inter-raciais são vistos como uma aberração e uma forma de bestialismo. A manutenção desta crença é importante para a política de segregação que o governo local emprega contra os nativos de Tell-el-Amarna. Infelizmente não são poucos os relatos de famílias que “lavaram a honra” matando algum membro que se envolveu na pratica do “bestialismo”, ou seja, manteve um relacionamento com um não-humano.

O problema dos mestiços é apenas um dos muitos problemas que afetam Tel-el-Amarna e sua solução passa pela solução de todos os outros. Talvez, e aqui enfatizo o talvez, se os outros mundos pressionassem e ameaçassem com bloqueios comerciais o governo local buscaria soluções mais rapidamente. Mas esta mesma pressão não poderia ser feita contra os goblins, porque ninguém pode desafiar o poder dos mercadores galácticos.

- Sobre os goblins.

Nenhuma destas formas de preconceito que citei chega ao extremo empregado pelos goblins. Como sabemos o cruzamento inter-racial com os goblins é de Via Única, ou seja, um goblin fecunda uma fêmea humana ou elfica, mas o mesmo não acontece com um macho humano ou elfo, pois eles não fecundam uma goblin. Junte este fato ao detalhe de que os goblins ricos mantém vastos haréns de elfas e humanas e teremos todos os elementos para que aja uma explosão de meio-goblins.

Mas isso não acontece não é mesmo? Para o goblin um híbrido é uma aberração, algo anormal e monstruoso que não devia ter nascido. Um goblin que dá origem a um híbrido é imediatamente considerado um paria – a mais baixa casta de sua sociedade. Ele perde tudo desde suas posses, prestigio até o direito a própria vida. Sendo assim como o rico goblin evita gerar híbridos? Respeita o ciclo de suas concubinas? Esterilização em massa?

Escravas não têm direitos para serem respeitados e esterilização custa dinheiro. Por isso o goblin recorre a mais antiga forma de infanticídio que se tem noticia: o aborto. Assim que a escrava apresenta os primeiros sinais de gravidez um aborto é encomendado. Se ela esconde a gravidez ou luta contra o aborto ela é sacrificada. Uma escrava sempre pode ser reposta, mas a posição social nunca mais pode ser recuperada. Essa pratica é tão eficiente que a única híbrida meio-goblin conhecida é Mama Estrelanegra - a pirata espacial. Somente Deus sabe como ela escapou de seu destino fatal.

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