terça-feira, 1 de julho de 2008

Crenças da Galaxia V

- A Fé dos Basteth

As crenças basteth, sendo caracterizadas pela liberdade de pensamento, acaba por apresentar um amplo leque de linhas de pensamento e de vertentes de características bastante distintas, entretanto, alguns elementos em comum podem ser apresentados a fim de que se tenha melhor compreensão do significado destas mesmas crenças. Elencamos dois princípios comuns, em especial, que ao mesmo tempo que ajudam a compreensão, do jeito de ser deste povo sem pátria:

O Respeito ao Livre-Arbítrio - para os basteth, a fé só é verdadeira se resulta de escolha individual e espontânea. Nenhum basteth verdadeiro realizará qualquer tipo de ação no intuito de se beneficiar de algo que prejudicará outra pessoa. Para os basteth, cada um tem seu próprio desafio a enfrentar. Usar de qualquer subterfúgio para escapar dos desafios que se apresentam é apenas adiar uma luta que terá de ter lugar nesta ou em outras vidas. Adiar problemas é o mesmo que acumulá-los para as próximas encarnações.

Comunhão com a Natureza - O verdadeiro basteth respeita a natureza, e por natureza ele entende absolutamente tudo o que não é feito pelos seres racionais, inclusive os minerais. Quando preserva a natureza, suas preocupações não são a viabilidade da manutenção da vida na galáxia, o verdadeiro basteth respeita a natureza simplesmente porque se sente parte dela, porque a ama. Os basteth não acham que a natureza está à sua disposição. Os seres racionais, os minerais, os vegetais e toda a espécie de animal são apenas colegas de caminhada, nenhum mais ou menos importante que o outro. Ainda assim, matam insetos que lhes incomodam e arrancam mato que cresce nos canteiros de flores sem dramas de consciência. Não são falsos em suas crenças nem românticos idealistas. Acreditam que conflitos fazem parte da natureza.

Talvez a maior manifestação das crenças tradicionais basteth seja o Felium, o ritual de passagem para a maioridade a que são submetidos todos os machos basteth. Este ritual consiste numa série de cânticos e danças, além da utilização de instrumentos musicais (maracá, zunidores), que visam a comunicação com os seres encantados para captura e afastamento de espíritos malignos que possam vir a prejudicar o jovem basteth em sua vida adulta. O ponto alto do ritual é a extração da calda do basteth, a partir deste momento o jovem basteth é considerado um adulto e espera-se que ele assuma as responsabilidades de adulto.

O xamanismo é constante em diversas manifestações das crenças basteth. Mas o xamã basteth é, antes de tudo, um curandeiro que se utiliza de uma série de práticas terapêuticas que permite conhecer e controlar estados de consciência, controlar emoções, modificar sentimentos e curar doenças, organizado sob a forma de um conhecimento empírico, aparentemente não lógico. As especificidades do curandeirismo basteth inclui práticas cirúrgicas como trepanações do crânio com finalidade neurocirúrgica não completamente esclarecida (descompressão de tumores, hematomas, hemorragias?), além de uma sofisticada farmacopéia que inclui enteógenos misturados com pelo menos uma centena de plantas curativas ou plantas mestras (plantas professoras).

De caráter sincrético as praticas xamanicas basteth tendem a se misturar com elementos das crenças e culturas dos povos naturais dos mundos onde vivem. Nos mundos humanos, em partícula, observa-se à presença dessas práticas médico-religiosas em comunhão com rituais católicos e espiritualistas de origem humana. Esse sincretismo talvez seja a explicação para que as práticas e crenças tradicionais basteth tenham conseguido sobreviver durante todos estes séculos em que este povo sem pátria vaga por mundos não seus.

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